1) ORIENTAÇÕES
A prova terá seis
questões, mas você só responderá duas, e será de forma ORAL. Você escolherá uma
questão para responder e o professor te fará outra.
2) QUESTÕES DE PROVA
1- Explique como o mito
vê a criação do ser humano.
2- Como esse mito
caracteriza a natureza humana em relação à dos animais?
3- Por que o pensamento filosófico
nasce na cidade de Mileto e não em outra parte do mundo?
4- Quais motivos levaram
o povo germânico a invadir as terras do Império Romano?
5- Relacione o Texto 1
com o Texto 2.
6- Resuma a queda do Império Romano do Ocidente
3) LEITURAS OBRIGATÓRIAS
TEXTO 1
O MITO DO EPIMETEU
Quando
chegou o momento de as raças mortais nascerem, os deuses as fabricaram através
de uma mistura de terra e fogo. Antes de as trazerem da terra para a luz,
encarregaram os deuses irmãos Prometeu e Epimeteu de repartirem os poderes
entre os seres vivos, de modo a estabelecer uma ordenação boa e equilibrada no
mundo. Epimeteu pediu a Prometeu para deixá-lo fazer a distribuição, permitindo
que o irmão a verificasse ao final.
Ao
repartir os poderes, Epimeteu dotava uns de força e lentidão, e dava velocidade
aos mais fracos; ele "armava" uns (com membros) e aos que não tinham
"armas" ele dava outra capacidade de sobrevivência. Aos pequenos, deu
asas para que pudessem fugir; a outros deu tamanho grande, o que já lhes
garantia a sobrevivência; na sua repartição, foi, assim, compensando as
diferentes capacidades, para evitar que uma ou outra raça fosse destruída;
depois de garantir a todos os meios de evitar a destruição mútua, começou a
preparar para lhes proteger contra os perigos das estações; deu a alguns pelos
e peles grossas para o inverno e para servir de cama, na hora de dormir; mas
também deu, a outros, peles finas e poucos pelos, para o calor; a uns ele deu
cascos, a outros peles sem sangue; depois deu para cada um alimentos
diferentes, a uns plantas, a outros raízes; a uns deu como comida a carne de
outros animais, dando-lhes também uma reprodução mais difícil, para que fossem
em menor número; às suas vítimas, garantiu reprodução abundante, assegurando a
sobrevivência das espécies.
Mas
como não era exatamente sábio, Epimeteu gastou, sem perceber, todos os poderes
com os animais que não falam; faltava ainda a raça humana, que não tinha
recebido nada e ele ficou sem saber o que fazer! Enquanto ele estava nesse
impasse, chegou Prometeu e viu que todos os seres vivos estavam harmoniosamente
providos de tudo o que precisavam, mas que o ser humano estava nu, descalço,
sem coberta e "sem armas". E o dia marcado para eles saírem da terra
para a luz já estava chegando. Sem saber então o que fazer para preservar os
humanos, Prometeu resolveu roubar o fogo do deus Hefesto e o saber técnico da
deusa Atena, e dá-los de presente para os humanos. Desse modo, o ser humano
passaria a ter o necessário para a vida.
Por
causa dessa proximidade com os deuses, o ser humano foi o primeiro a
reconhecê-los e a dedicar-lhes altares e imagens; depois, graças à sua técnica,
começou a emitir sons articulados e palavras, inventou as casas, as roupas e os
calçados, as cobertas e os alimentos cultivados na terra. Assim equipados, os
seres humanos viviam, primeiro, dispersos, pois não tinham cidades; ficavam
expostos e, sendo mais fracos, eram mortos pelos animais selvagens; sua
técnica, mesmo sendo uma grande ajuda para conseguir alimentos, era
insuficiente na guerra contra os animais. De fato, eles ainda não possuíam a
técnica da política, da qual faz parte a técnica da guerra. Eles tentavam se
reunir para garantir sua sobrevivência, criando cidades, mas eram injustos
demais uns contra os outros, se dispersavam e acabavam morrendo.
Prometeu
havia dado aos humanos o saber técnico, sem o saber político, que estava com
Zeus. Só depois, Zeus, temendo que nossa espécie se extinguisse totalmente,
mandou o deus Hermes levar para os humanos o Respeito (aidós) e a Justiça
(díke), para estabelecer a ordem nas cidades e as relações de solidariedade e
amizade que reúnem os homens. Hermes perguntou a Zeus como deveria distribuir o
Respeito e a Justiça: do mesmo modo como distribuiu as outras técnicas, ou
seja, poucos com cada uma, para servir muitos? Ou seria o caso de distribuir o
Respeito e a Justiça igualmente para todos? Zeus ordenou que ele fizesse de
modo com que todos participassem desses dois dons divinos, pois não seria
possível ter cidades, se só alguns poucos os tivessem; ordenou também que fosse
instaurada a seguinte lei: que fosse condenado à morte o homem que se mostrasse
incapaz de receber e exercer o Respeito e a Justiça.
TEXTO 2
A COLHEITA DE
MILETO: UM BREVE COMENTÁRIO SOBRE O NASCIMENTO DA FILOSOFIA
O
nascimento da filosofia na cidade de Mileto, região da Magna Grécia, não foi
por acaso. Alguns fatores como a escrita e o comercio ajudaram a cidade dos
milecinos fazendo com que nela germinasse o pensamento crítico próprio da
Filosofia.
De acordo com a história, a escrita sempre
esteve nas mãos de uma elite seja ale real, sacerdotal ou aristocrata. Na
Grécia antiga isso não foi diferente. Em um primeiro momento a escrita grega,
assim como a do resto do mundo conhecido, estava intimamente ligada à religião;
se registrava apenas a vontade dos deuses para serem interpretadas pelos
sacerdotes ou reis. Com o passar do tempo essa realidade mudou, e tudo isso
graças ao comercio crescente nas cidades, principalmente, da Magna Grécia.
Por
conta de sua localização privilegiada, Mileto tornou-se uma cidade de grande
porte comercial, viajantes de todo o mundo vinha à cidade comprar, vender, ou
somente fazer uma parada enquanto seguiam viagem. Isso levou para Mileto uma
grande quantidade de pessoas de mentalidades diferentes, cada um com sua
religião, costumes e interesses. Como todas essas pessoas, tão diferentes,
conseguiriam se relacionar e comercializar entre si? Isso foi possibilitado
graças às leis que começaram a serem escritas.
Nas
cidades gregas, e com Mileto não foi diferente, a justiça era aplicada pelo rei
ou nobre, que a seu bel prazer interpretava os “costumes” –leis de inspirações
divinas escritas ou orais- e o aplicava a casos concretos. Porém, na cidade de
Mileto, graças ao comercio, começou a florescer um novo grupo financeiramente
importante, os comerciantes, e que não tinha participação na justiça; esse
grupo queria mudar esta realidade.
Os
comerciantes, detentores do poder econômico, queriam um maior participação no
destino da cidade, queriam poder dar ideias e propor soluções que poderiam
melhor suas vidas e a vida da polis. Com o florescimento deste pensamento os
reis e tiranos foram derrubados e surgiu na Grécia um modelo politico mais
isonômico chamado Democracia.
Com
o nascimento da democracia as leis, que antes vinham da vontade divina e ou
real, passam a ser construídas a partir da necessidade da polis, e por isso
deixaram de ser imutáveis. Como nos diz CASERTANO (2011 p.18):
“(...) estas
leis não eram mais consideradas a
expressão de mandamentos divinos mediados pelo soberano, mas a expressão da
vontade politica de certas classes, no interior das quais se submetiam à
aprovação da maioria (...) as leias já não eram imutáveis, e sim passiveis de
discursão, crítica e modificação”.
Em
um ambiente em que agora se valorizava a crítica e a discursão racional, em
detrimento aos dogmas divinos, porque não aplicar esse procedimento a questões
mais amplas como, por exemplo, a origem de todas as coisas? Assim, o homem
rompe com os deuses e começa a buscar por si mesmo respostas racionais para as
questões da vida. A esta busca damos o nome de Filosofia.
TEXTO
3
IMPÉRIO
ROMANO - A DESINTEGRAÇÃO: DIVISÃO E INVASÕES BÁRBARAS
O desguarnecimento do limes (ou
fronteiras) tornava-se ainda mais grave naquelas regiões onde as fronteiras
naturais do Império (desertos, montanhas, oceano) eram mais frágeis. E essa
fragilidade mostrava-se mais acentuada na fronteira do Império com a vasta
região conhecida como Germânia, a qual tinha como fronteira básica os rios Reno
e Danúbio.
A região conhecida pelos romanos como
Germânia abrigava uma série de povos, genericamente chamados de germânicos,
como francos, vândalos, visigodos, ostrogodos, anglos, saxões, jutos, hérulos,
burgúndios, lombardos e vários outros. Tais povos representavam um potencial
numérico muito grande e uma ameaça efetiva ao Império, notadamente num quadro
de retração do seu poderio militar.
Tetrarquia
e divisão do Império
A crise econômica teve também uma clara
manifestação administrativa. A redução da arrecadação gerou uma queda no número
de funcionários do Estado, tornando a administração mais difícil,
principalmente nas províncias mais distantes de Roma.
Numa tentativa de sanar esse problema, o
imperador Diocleciano dividiu o Império em duas partes: o Ocidente, com capital
em Roma, e o Oriente, com capital em Bizâncio, às margens do mar Negro. Em cada
uma dessas partes havia um imperador, com o título de Augusto, e um outro
governante para as regiões mais distantes, com o título de César. Por contar
com, na verdade, 4 governantes, essa forma de divisão foi chamada de
Tetrarquia.
A Tetrarquia durou pouco tempo. Já no
início do século 4, o imperador Constantino reunificou o Império. Entretanto,
como o risco de invasão fosse maior na parte ocidental, ele transferiu a
capital para Bizâncio, mais protegida e, na época, mais rica. Ali, ele ergueu
uma cidadela para servir de sede ao governo, dando a ela o nome de
Constantinopla, nome que, durante séculos, acabou designando toda a cidade.
Durante o século 4, o Império manteve-se
unificado, com sua sede em Constantinopla. No final do século, o imperador
Teodósio estabeleceu, em 395, a divisão definitiva: Império Romano do Ocidente,
com capital em Roma, e Império Romano do Oriente, também chamado de Império
Bizantino, com capital em Constantinopla.
Decadência
e êxodo urbano
Ao mesmo tempo em que o Império se
debatia com toda a sorte de dificuldades administrativas e militares, os aspectos
econômico e social da crise iam gerando uma nova realidade. O declínio do
comércio gerava uma decadência de toda a atividade urbana. E a incapacidade
crescente do Estado romano de manter a ordem e a paz internas transformava as
cidades em alvo de ataques e saques. Outro elemento era a impossibilidade de
manter a política de concessão de alimentos à plebe miserável, tornando impossível
sua permanência em Roma.
Esses elementos vão gerar um processo de
êxodo urbano. A grande massa que sai das cidades para o campo vai passar a
viver e trabalhar naqueles mesmos latifúndios em que, até então, utilizava-se a
mão-de-obra escrava. O declínio da escravidão abria espaço, portanto, para o
trabalho plebeu, mas em condições significativamente diferentes.
Tais latifúndios continuavam com sua
mesma extensão, sendo necessário que várias famílias vivessem e trabalhassem
dentro de uma mesma propriedade. Assim, a paisagem rural do Império,
notadamente no ocidente, passou a se caracterizar por um tipo de propriedade à qual
os romanos davam o nome de vilas, nas quais várias famílias de trabalhadores
vivem e trabalham numa terra que não lhes pertence.
Bases
do feudalismo
Esse processo de ruralização apresentava
outras características. Esses trabalhadores, apesar de serem livres, não eram
proprietários da terra. Ao mesmo tempo, a escassez de moedas inviabilizava o
pagamento de salários. Dessa forma, a única possibilidade de vida para esses
trabalhadores era extrair da terra o seu sustento, entregando ao proprietário
um excedente - como forma de pagamento pelo uso da terra. São os primeiros
rudimentos econômicos do feudalismo, já presentes na crise do Império.
Ao lado desses elementos, outra
realidade se desenrolava. Desde o início do século 3, o Império havia adotado a
política de permitir que tribos bárbaras se instalassem dentro das suas
fronteiras. Essa relação estabelecia-se com o Império cedendo a essas tribos
terras, chamadas pelos romanos de feudus.
Esses bárbaros eram admitidos na
condição de colonos, segundo a qual, em troca da terra, eles se comprometiam a
cultivá-la, pagar tributos ao Império e, por lei, estar presos à terra, não
podendo deixá-la. Isso se explica pela necessidade romana de usar esses povos
para a própria defesa das regiões fronteiriças. Tanto que esses bárbaros eram
também considerados como federados ao Império, termo que tinha uma conotação de
aliados militares.
Quando a crise no interior do Império
agravou-se, no final do século 3, com Roma cada vez mais dependente da produção
agrícola, o regime de colonato foi estendido para as próprias populações
romanas. Tal medida foi baixada pelo imperador Diocleciano, tornando o colonato
uma instituição.
Os
hunos, os povos germânicos e o fim do Império
A partir do final do século IV, a
situação do Império tendeu ao colapso. Já por volta de 370, a presença de um
povo asiático - os hunos - no sul da Europa contribuiu para destruir o frágil
equilíbrio em que ainda se assentava o Império e sua relação com os povos
bárbaros.
Ao longo de quase um século, os hunos
assolaram regiões da Europa, chegando mesmo a sitiar Roma em 452. Ferozes,
saqueadores e extremamente numerosos, eles espalharam terror por várias regiões
da Europa, incluindo a Germânia.
Para vários historiadores, os ataques
dos hunos contribuíram largamente para pressionar os povos germânicos em
direção às terras pertencentes a Roma, acelerando o processo de invasões. Tais
invasões se estenderam ao longo do século V. Os visigodos saquearam Roma em 410,
e os vândalos em 455; os francos, após saquearem Roma, ocuparam a Gália;
anglos, saxões e jutos invadiram a Bretanha; burgúndios, o sul da França;
lombardos, o norte da Itália; e, em 476, os hérulos, seguidos pelos ostrogodos,
depuseram o último imperador, Rômulo Augusto.
Esse evento assinala oficialmente o fim
do Império Romano do Ocidente. A parte oriental do Império manteve-se unificada
até 1453, quando Constantinopla foi tomada pelos turcos. Entretanto, a
influência do chamado Império Bizantino sobre a Europa foi rapidamente
esvaindo-se. As áreas dominadas pelos vários povos germânicos deram origem a
uma série de reinos fragmentados, destruindo a unidade imposta pelos romanos.
Também esse evento assinala o início da Idade Média europeia, erigida a partir
justamente da integração entre elementos romanos e germânicos.